Minha vida em palavras

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Desde criança, gosto de palavras. Não importa se eu estava lendo algum gibi da Turma da Mônica, escrevendo uma revista com canetinhas coloridas ou fazendo exercícios de livros didáticos sem que a professora pedisse. As palavras estavam presentes em tudo que eu fazia, e me pareciam uma forma mais fácil de lidar com o mundo. Eu podia criar minhas próprias novelas e as imaginava na televisão. Podia escrever uma carta para minha mãe, se quisesse falar sobre alguma coisa e tivesse vergonha.

Muitas pessoas acreditam que nossa identidade está ligada a nossa família, a nossa criação e aos valores que nos foram passados. Talvez. Mas acredito que mais importante sejam as vezes em que nos questionamos sobre esses valores e ensinamentos. Minha família pode ter sido meu primeiro contato com muita coisa, mas minha identidade se destacava quando eu me perguntava sobre isso. E isso acontecia com certa frequência. Só que, nessas horas, as palavras costumavam ficar dentro da minha cabeça, porque tenho essa dificuldade chata em expressar e compartilhar o penso ou sinto, ainda que minha cabeça esteja a mil por hora.

Talvez eu possa definir minha identidade pelo que eu escrevia. Na minha adolescência, comecei a utilizar as redes sociais para compartilhar alguns escritos e tive um incentivo para testar minhas habilidades como jornalista através de uma comunidade no Orkut, da qual fui moderadora até seus últimos dias. Já sabia que era o que eu queria como profissão.

Nessa mesma época, descobri o mundo das fanfics. Lia várias histórias que tinham como protagonistas os membros das bandas que eu gostava e até hoje guardo meus cadernos do Ensino Médio, onde escrevia minhas próprias fanfics, à lápis. Esse mundo me fez conhecer um pouco mais sobre mim, e também me permitiu conhecer pessoas novas e sair do círculo fechado que era a escola. Pela primeira vez, pude viver a experiência de transpassar uma tela de computador e conhecer pessoalmente gente que eu só falava pela internet e com quem me identificava.

Dia da mulher pra quê?

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Dia de dar flores, chocolates, dar parabéns e levar pra jantar. Dia de elogiar as mulheres por serem guerreiras, por exercerem múltiplas funções, por serem mães, esposas e trabalhadoras… Todo aquele velho clichê, né? E amanhã, é um dia qualquer: nada de parabéns, nada de agradecimentos ou flores.

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É sério que isso parece ok? Porque é isso que vejo muita gente fazer nesse 8 de março. Resumindo: “comemoram” de uma forma que só mostra que não temos tanto assim a comemorar, e muito pra lutar. O Dia da Mulher não surgiu pra celebrar a capacidade das mulheres em se maquiar, andar de salto alto e cuidar dos filhos enquanto continua diva fazendo as unhas e fazendo o jantar do marido. Porque, adivinha só? Nada disso tem a ver com o significado de ser mulher.

Ser mulher não é ser vaidosa e feminina. Isso é só uma das muitas possibilidades do que uma mulher pode ser. O Dia Internacional da Mulher é apenas uma data simbólica para nos lembrar que tudo bem ser mulher e não querer ter filhos. Tudo bem não querer casar. Tudo bem usar tênis ao invés do salto. Tudo bem dedicar sua vida ao trabalho. Tudo bem ser engenheira ou policial. Tudo bem não se relacionar com homens. Tudo bem ser o que você quiser. Continue lendo

O que todos deveriam aprender com o Jornalismo

O que todos deveriam aprender com o Jornalismo - QG da Bruna

Desde que começamos a estudar Jornalismo na faculdade, há um verbo que aprendemos e que continua conosco para sempre: apurar. Isso significa que não podemos simplesmente ouvir uma informação e reportá-la. Nós temos um compromisso com a verdade, então temos que nos aprofundar e descobrir mais detalhes, descobrir fontes diferentes e confirmar se a informação é realmente verdadeira. Essa é a essência do Jornalismo.

Agora, responda mentalmente: alguma vez você já viu um artigo no Facebook e não teve paciência para ler tudo mas comentou ou formou uma opinião de qualquer forma? É, eu sei que somos todos culpados. Fazemos isso o tempo todo. Vivemos numa era em que todas as notícias se tornam antigas em questão de horas, talvez minutos. Não esperamos pelo jornal para ler sobre o que aconteceu no dia seguinte. Queremos saber agora! Utilizamos redes sociais todos os dias, e as pessoas compartilham notícias o tempo todo. Seria impossível ler tudo que nossos amigos compartilham, mas nós passamos o olho e, talvez não percebamos, mas estamos recebendo informação o tempo inteiro.

Se alguém compartilha que amanhã vai chover, há uma grande chance de acreditarmos que isso é verdade e esperarmos chuva para amanhã. Mesmo que a gente não clique ou pesquise a respeito. É engraçado, mas confiamos tão absurdamente nas redes sociais!  Continue lendo

O que assisti em Outubro

Outubro foi um mês bem produtivo no quesito filmes! Infelizmente, novembro não foi tão bonzinho comigo, por isso precisei me afastar um pouco do blog, mas já estou de volta e vou falar de alguns filmes que assisti durante o mês de outubro. Perdoem o atraso, tá? Já voltamos a programação normal! Ah, trouxe uma novidade: sempre que eu fizer post da coluna “O que assisti em”, vou dar notas para os filmes (de 1 a 5 estrelas). Não que eu entenda muito de cinema ou seja uma grande crítica, são apenas opiniões pessoais que você pode levar em conta ou não. De toda forma, não deixarei de fazer um pequeno resumo e contar o que achei de cada um.

Que horas ela volta - QG da Bruna - O que assisti em Outubro

Que horas ela volta? –  Precisava tanto ver esse filme que fui ao cinema sozinha – coisa que deveria fazer mais vezes, por sinal. No filme, acompanhamos a história da empregada doméstica Val, que trabalha há anos na casa de uma mesma família de classe alta. Val não vê sua filha Jéssica desde que ela era criança, até que ela decide prestar vestibular em São Paulo e ficar na casa da mãe por um período, sem saber que ela mora com seus patrões. A chegada de Jéssica muda tudo dentro da casa, pois ela questiona todos os comportamentos e padrões que são esperados dela e também de sua mãe. O filme traz uma crítica bem sutil, porém facilmente perceptível, sobre a realidade do Brasil: as desigualdades sociais e o elitismo velado, as discriminações que as pessoas fingem não enxergar. Jéssica tenta abrir os olhos de Val, que a princípio se incomoda, assim como sua patroa, mas as duas acabam desenvolvendo um relacionamento importante de mãe e filha. Não é a toa que se falou tanto de “Que horas ela volta?” ★★★★★ Continue lendo

Minha experiência com voluntariado em eventos – parte 1

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Desde que os Jogos Panamericanos aconteceram no Rio de Janeiro, em 2007, a possibilidade de ser um voluntário me chamou muito a atenção. Na época, eu ainda era muito nova para participar, mas tinha certeza de que iria gostar bastante e participar de algum outro evento assim que pudesse.

Quatro anos depois, vieram os Jogos Mundiais Militares, e eu ainda tinha 17 anos! Não pude me inscrever, mas aproveitei bastante: assisti a vários jogos e vivi muitas aventuras. De verdade, essa foi uma experiência muito marcante pra mim. Foram duas semanas acompanhando as equipes, especialmente de vôlei e basquete, e torcendo. Num dos jogos de vôlei da Coreia do Sul, eu e minhas amigas conhecemos outras pessoas que gostavam da cultura e conhecemos até mesmo jornalistas e políticos coreanos que se impressionaram com nossa torcida. Esse evento rendeu muita história e isso foi o bastante para que eu ficasse ansiosa por um próximo grande evento na minha cidade.

Por esse lado, tenho sorte de morar no Rio de Janeiro, uma cidade turística e que sempre atrai eventos mundiais! Continue lendo